Depois da entrega de prémios que comentei no post anterior, acabamos por conseguir ver o filme de encerramento do Fantasporto 2008, este “the mist”, de Frank Darabont (the shawshank redemption e green mile), habitual colaborador de Stephen King na adaptação das suas obras ao cinema. Este sendo também uma dessas adaptações.
Não conheciamos grande coisa sobre o filme, apenas que o tema era um nevoeiro misterioso, que tinha dedo de Stephen King e nada mais. Tanto que a expectativa foi aumentando pela demora na entrega de prémios e a malfadada actuação dos Blasted Mechanism. Valeu a pena a espera, mas explico tudo após o salto.
Após uma tempestade, um estranho nevoeiro aprisiona um grupo de locais num supermercado, dando aso a um rol de acontecimentos estranhos, com humor série B (o que é bom), e com algum terror à mistura que satisfez bastante a audiência. Aliás, o fantasporto é das poucas alturas em que a audiência realmente vai ao cinema pelo filme, vibra com a acção, grita “bravo” quando um ocasional figurante é desmembrado e até aplaude nas cenas que o merecem. Em absoluto contraste com a escumalha que habitualmente popula os cinemas dos shoppings (alguns mais que outros), onde as bocas surgem naturalmente quando mais de 10 cm de pele são vistos no ecrã, e para impressionar os amigos deficientes mentais (sentido lato, não como comparação aos clinicamente deficientes, os quais respeito bem mais que esta escória do cinema público) sentados na mesma fila que ficam todos contentes enquanto se empanturram de pipocas e ranho e deixam os lugares do auditório como a pocilga em que certamente devem viver.
Regressando ao filme…foi interessante ver o microcosmos social do grupo preso no supermercado, a prevalência da religiosidade ou fanatismo criado pelo medo e falta de esperança, e pouco mais, já que o filme não aspira a ser uma experiência moral de qualquer ordem. Nem teria sentido e apenas dois gatos pingados o teriam ido ver. No Fantasporto queremos sangue, e sangue houve, monstros originais…bem, mais ou menos, mas eram monstros e matavam o pessoal, que é o que realmente importa…um momento romântico de 10 segundos que termina em tragédia, e um momento épico memorável (para este tipo de filmes). O final foi previsivel, mas angustiante o suficiente para sairmos de sorriso aberto. Ah, o “herói” é o Thomas Jane (The punisher) e a beata religiosa, fantástica actuação, hehe, é a Marcia Gay Harden.
Claro que aconselho a verem o filme. Não é uma obra prima do cinema contemporâneo, e ainda bem, senão seria em italiano, teria muita nudez, falas que se entendem apenas a cada 3 palavras e era de um realizador que ninguém sabe pronunciar o nome direito. Avé fantas, avé stephen king e avé os técnicos, tantas vezes esquecidos, que produzem os litros de sangue para estes filmes, que nunca seriam os mesmos sem eles.
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