Talvez a epifania venha tarde demais na minha vida, mas só recentemente entendi o fascínio, considerado ridículo por umas quantas pessoas que conheço, de adquirir um quadro de algum autor famoso, ou nem necessariamente famoso, mas de alguém específico.
Não se trata de o quadro em si apenas, da pinta vermelha sobre fundo branco que qualquer um de nós talvez conseguisse fazer se estivesse suficientemente bêbado, tivesse acordado para o lado certo da cama ou simplesmente o tivesse decidido fazer, mas de tudo que é inerente a essa pinta vermelha, a quem a decidiu colocar naquele preciso local e ao que ela significa. Conhecer a vida do autor, os acontecimentos que levaram à pintura do quadro, ou o próprio percurso da tela até chegar às nossas mãos, tudo lhe dá um peso e dimensão que uma cópia comprada numa loja dos 300 nunca conseguiria alcançar.
Um quadro original, uma gravação perdida, uma 1ª (ou 7ª, desde que signifique algo para nós) edição de um livro que adoramos, tem um valor etéreo, não quantificável em valor. E ainda bem, ainda bem que a mística de um objecto ainda significa alguma coisa para além das suas funções mundanas, e que alguém pague milhões para ter um objecto que lhe fará para sempre lembrar o autor, a guerra que inspirou a sua criação, ou o olhar da sua amada quando viu esse objecto pela primeira vez na joalharia da esquina.
A imagem deste artigo é uma vista parcial do quadro de 2,40m x 1,20m de Jackson Pollock “No. 5″, de 1948, que podem ver abaixo com ligeiramente maior resolução. Diz-se que foi vendido em Novembro de 2006 por 140 milhões de dólares.


Retrato de Adele Bloch-Bauer I - terminado em 1907 (vendido em Junho de 2006 por 130 milhões de dólares).E o par desta pintura, também por Klimt, obviamente:

Retrato de Adele Bloch-Bauer II - terminado em 1912 (vendido em Novembro de 2006 por 88 milhões de dólares).

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