Ouvi na rádio, talvez hoje, que a Câmara Municipal de Alcoutim (pensava eu) se prontificou a pagar o tratamento aos seus funcionários fumadores para que deixem de o fazer (de fumar, trabalhar por muito que paguem, é sempre o mesmo - ou talvez nas Câmaras o trabalho seja inversamente proporcional ao salário(*)..bem, é outro assunto). O meu engano é que não se tratava do Município de Almeirim, mas de Alcoutim. A minha sorte é que Almeirim também tem os seus esqueletos no armário, como descobri na minha pesquisa pelo artigo sobre o tratamento.
(*) - Ainda conheço um ou dois funcionários camarários que realmente trabalham. Espécie rara.
Almeirim
Presidente da Câmara de Almeirim nega ter violado emails de vereador
O presidente da Câmara Municipal de Almeirim, José Sousa Gomes (PS), negou hoje ter violado a correspondência electrónica do vereador Francisco Maurício, que segunda-feira ameaçou, em reunião da autarquia, apresentar uma queixa-crime contra o autarca.
Esta notícia é uma daquelas jóias que só acontecem aqui, ou melhor, que só se sabem que acontece por aqui, já que gente como esta aposto que existe em todo lado. Ou talvez tenhamos a sorte de ter a maior a concentração por metro quadrado.
A história, diz-se, passou-se assim: O sr. Presidente da Câmara de Almeirim (Sousa Gomes) recebeu, das mãos de uma funcionária, uma carta anónima com 3 folhas “contendo e-mails de Francisco Maurício com afirmações ofensivas da sua pessoa”. O Maurício, como é chamado no artigo, foi vice-presidente de Sousa Gomes, até se incompatibilizarem ambos num qualquer processo que deve ser aborrecido para ter interesse. Actualmente é vereador, ou pelo menos por enquanto.
Dessa carta anónima, o sr. Presidente cortou as partes que não interessavam, deixando apenas ficar “os aspectos que me afectavam” (a ele). Fez também um extenso trabalho de pesquisa e estatística em anteriores votações do tal Maurício em reuniões de Câmara, cortou alguns excertos de actas, e “angariou” alguma informação sobre e-mails enviados pelo ofensor (Maurício) a Armindo Bento (presidente da assembleia municipal), tudo para demonstrar, na passada reunião de sexta-feira, a existência de um “conluio” entre as referidas pessoas para “destruírem” a sua “condição como presidente” (palavras dele).
Por seu lado, o Maurício acusa o sr. Presidente de ter entrado no servidor da autarquia para conseguir os seus e-mails. Sousa Gomes refuta, diz que não, que só tirou listagens dos e-mails trocados entre o vereador e o presidente da assembleia, mas não conteúdos.
Carta anónima de 3 folhas, retalhada para manter a privacidade dos restantes visados, presidente vasculha servidor para retirar apenas listagem, mas não conteúdos, de e-mails de outra pessoa? Claro que é perfeitamente plausível imaginar o sr. presidente, após ter sido ferido no seu íntimo por uma carta ofensiva contra a sua pessoa, a dizer para o administrador do sistema informático da Câmara, “oh pá, tira-me aí uma listagem de todos os e-mails daquele c*b**o, mas não quero saber o que escreveu, basta o assunto!” e o puto, ainda atordoado por estar a lidar com um ser humano pela primeira vez em 4 dias, “sr. presidente, mas tenho aqui as conversas todas, e por vezes o assunto é diferente do conteúdo”. Mas não, apenas se listaram assuntos, diz ele. Já não se fazem presidentes, e vereadores, como os de Almeirim.
Nota para os autarcas de Almeirim - Os emails ficam registados, supostamente no vosso computador. Enviar ofensas por e-mail, ou trocar barbaridades por esse meio, conluios ou não, é como ir berrar à cara da vítima e deixar o contacto e NIB. E despeçam o administrador de sistemas, tanto por não lidar com pessoas há 4 dias, como por manter cópias de todos os e-mails no servidor. Ao menos deve ter um emprego divertido a ler tudo que se passa na Câmara.
Alcoutim
Câmara paga tratamento aos funcionários fumadores mas obriga-os a devolver o dinheiro se recaírem
A Câmara de Alcoutim está a pagar tratamentos para os seus funcionários que querem deixar de fumar, mas os que recaírem no período de um ano terão que devolver o dinheiro do tratamento à autarquia, anunciou hoje o município.
Acho louvável uma autarquia pagar o tratamento anti-tabágico às suas hordas fumadoras, e mais, extensível às famílias, já que “muitas vezes de nada vale um dos membros de um casal ter um tratamento destes se o cônjuge continuar a fumar“.
De momento, estão em tratamento cerca de duas dezenas de funcionários, com uns bons 50+ à espera de ver o resultado da primeira onda de tratados, para só então se submeterem ao tratamento. Só aqui temos desculpa para escrever asneiras. Se me quisesse tratar, ia ficar à espera de ver o que acontece ao meu colega do lado? Estamos a falar de um tratamento contra o tabaco, não de uma droga experimental que pode fazer o pessoal ficar verde ou ganhar pêlos na boca. Que pode acontecer? “O tratamento do Pedro não resultou, por isso não iria nunca resultar para mim” ou “fui otário por não aproveitar a oportunidade de Janeiro, agora cortaram os subsídios para o tratamento e eu continuo a fumar como um burro”. Os burros não fumam, talvez porque não possam (aquela treta do polegar oposto) ou porque de burros só têm o nome.
Por outro lado, temos a fantástica ideia da autarquia em recolher o dinheiro caso algum funcionário tenha uma recaída no período de um ano. Só existem alguns, pequenos, problemas:
- O funcionário entretanto deixa de ser funcionário - paga o correspondente ao período que faltava até perfazer um ano? Pode fumar, já que deixou de ser funcionário? Fica em período probatório, tendo uma visita no seu novo emprego de um outro funcionário da Câmara de x em x dias para verificar que já não fuma?
- Funcionários a recibo verde - Ou não fazem o tratamento porque não têm direito (direitos não fazem parte do inexistente contrato de trabalho), ou caso os deixem fazer o tratamento, não podem devolver o valor porque não são funcionários, logo a recaída nunca é no âmbito da Câmara.
- “Fumo em casa” - Desde que não chegue à Câmara a cheirar a tabaco, e mesmo assim é tudo provas circunstanciais.
- “A minha esposa continua a fumar em casa, no trabalho, onde quiser, já que ninguém sabe por onde ela anda” - Nem respondo.
- Definam recaída - fumo em segunda mão conta como recaída? Andar atrás dos colegas que fumam para ter fumo em segunda mão conta como recaída?
Brincadeiras à parte, é louvável, embora fique reticente na questão do controlo (ou nem interesse controlar, mas sim ter vontade de mudar). O tratamento fica por 250 euros e é baseado em medicamentos da medicina tradicional.
Adoro Portugal.
Artigos no “Sol”:
Presidente da Câmara de Almeirim nega ter violado emails de vereador
Câmara paga tratamento aos funcionários fumadores mas obriga-os a devolver o dinheiro se recaírem

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